A vida privada e a privada da vida!


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Conversando com algumas pessoas amigas sobre como a vida privada influencia nossos trabalhos comunitários e como os desequilíbrios podem expor a vida privada de uma pessoa em público e destruir ou mesmo manchar a reputação de uma entidade ou de uma pessoa, resolvi escrever este artigo.

O Prof. Dermeval Corrêa de Andrade, Psicólogo e formulador da Psicologia da Ideologia, dizia que há pessoas que ajudam as outras nos movimentos sociais por questões ideológicas visando uma sociedade mais justa, e outras buscam estes mesmos movimentos por carências afetivas e egoístas, procurando algo para si mesmo e não para o coletivo.

É destas segundas pessoas que quero falar. O sistema capitalista é especialista em tornar seus cidadãos completamente voltados somente para o ego em busca de suas satisfações pessoais e, em muitos movimentos, mesmo buscando as mudanças, muitas pessoas ainda caem nas malhas deste sistema e, emocionalmente, levam seus conflitos e problemas pessoais para a comunidade, para o coletivo. E aí, ao invés de ajudar, atrapalham.

Pessoas solitárias, sozinhas, frustradas por relacionamentos dos mais diversos ou privadas de algumas condições de sociabilidade, muitas vezes usam os movimentos e as instituições para satisfazer seu ego, se livrar das frustrações, ter algum tipo de controle sobre pessoas, situações ou mesmo as instituições. E isso gera muitos conflitos.

Pessoas que precisam de ajuda, geralmente são os alvos dessas pessoas que as ajudam com uma segunda intenção, verbalizada ou não, consciente ou não. Desta forma, ao ajudar alguém, este tipo de voluntarioso(a) se sente dono(a) da pessoa ou da situação, procura controlar o que acontece e o(a)  ajudado(a) se sente na obrigação de retribuir, se sente incapaz de dizer não, porque sente gratidão. Quando a pessoa ajudada tem alguma consciência da que sua condição temporária que que terá condições de se libertar de carência emocional, material, físicas dentre outras, consegue reunir forças para não sucumbir à obediência e controle. Já quando  não tem estratégias de defesas psíquicas e se permite o controle buscando justificativas para tal, os movimentos ou entidades começam a passar por um processo de escravização velada em que aquele que ajudou se sente no direito de dizer o que deve ser feito, como se os demais nada soubessem.

Ainda há aquelas pessoas que, fragilizadas, mesmo com um grande potencial coletivo, se deixam envolver pelas emoções e relacionamentos simbióticos dentro do movimento e instituições, dando margem para fofocas, ciumeiras, inseguranças, desestabilização total de qualquer possibilidade de organização saudável para o desenvolvimento do grupo.

Pense, qual tipo de pessoa que voce é no coletivo? Voce é das primeiras que pensam primeiro na causa e consegue manter-se equilibrado para o bem da organização? Ou é daquelas pessoas que gosta ou admira o líder ou o ajudado e acha que ele lhe pertence e qualquer outra pessoa que se aproximar voce cria problemas pessoais em que nada ajudam a causa? Ou ainda voce é daqueles que mantêm sua vida privada em segredo, mostra-se como o sabe-tudo e pensa que, a partir de sua experiência, pode retirar seu ganho e seu salário do coletivo?

De que voce é privado para usar um movimento social ou uma instituição? O que na sua vida privada lhe falta que voce precisa ir no coletivo buscar para compensar suas frustrações independentemente das consequências para a causa? Voces já pensou que tudo que voce faz em sua vida privada também reflete no seu comportamento e não dá pra fingir que está preocupado (a) com uma causa, quando privado de ser o que voce é, se expõe nos grupos suas frustrações e desanda todo o trabalho?

Por conta da incoerência da vida privada com a vida coletiva, muitas pessoas colocam na privada as grandes possibilidades de grupos organizados irem para frente. Se deixam levar pelas emoções mas básicas, ao invés de se sublimarem e darem forças aos sentimentos mais nobres. Muitas vezes se tornam escravocratas,  porque escravo(as) das frustrações e privados(as) de seus sonhos, querem fazer o mesmo a quem estão ajudando ou dizem estar.

É assim que tenho assistido alguns desentendimentos existirem somente porque a vida privada é uma privação de sonhos, felicidades e que deságuam no coletivo, quando as pessoas já não suportam mais serem privadas do que mais querem e, num momento de grande desequilíbrio, jogam todas as possibilidades literalmente na privada.

Já pensou nisso? Pense e me responda se já viu alguma situação que se assemelhe ao que descrevi ou se só eu vejo isso….

Boa noite!

 

 

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